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O tema já é sensível e uma das maiores ameaças ao amor em alturas de prosperidade financeira. Agora, há ainda mais razões para levar muito a sério as estratégias dos especialistas para uma vida a dois com saldo positivo.

A forma como o casal organiza as suas finanças é uma janela para entender a sua relação. Mas sejamos justos: o dinheiro é só um bode expiatório para problemas que já existiam. “As crises e problemas do casal têm a ver com problemas do dia a dia”, confirma Ana Morato, psicóloga clínica e terapeuta de casal na clínica O Canto da Psicologia. “É sobretudo o desemprego que mexe muito com a relação, e no caso do homem interfere com o seu conceito de masculinidade, podendo refletir-se sobretudo na vida íntima.” Não há uma fórmula perfeita de gerir o dinheiro a dois – uma só conta, tudo separado?

O importante é que haja uma comunicação saudável, pois quando as pessoas estão bem enfrentam as tempestades com mais facilidade”, observa a terapeuta, que nos sugere algumas estratégias lucrativas para uma boa relação.

O que vem de trás

“A falta de dinheiro pode levar a que apareçam dificuldades na relação, mas, geralmente, já existe um conjunto de problemas  anteriores”, alerta a terapeuta de casal.

“Muitas vezes, as discussões começam com as diferenças entre os modelos de consumo e poupança de cada um. Mas o que está mesmo em causa é a confiança e a forma de comunicar que, frequentemente, já não é saudável. Ou o facto de um dos elementos do casal não reconhecer as coisas que o outro gosta de fazer e os seus interesses individuais. Todos temos direito à nossa intimidade, não temos que partilhar tudo. Cada uma das partes tem que respeitar as escolhas do outro. Assim, é mais fácil trabalharem novos modelos.”

Trabalhem a negociação

Sentarem-se à mesa por uma ou duas horas a fazer o balanço financeiro do mês já é um esforço importante, não só na gestão das finanças domésticas, mas também na comunicação e negociação. “É importante que se faça esse exercício: eu corto aqui e tu ali. Já é saudável se os dois fizerem contas, perceberem onde foi gasto o dinheiro, constatando que, se calhar, foi o próprio e não o parceiro que gastou um pouco mais.”

Esconder é má política

Sim todos temos direito à nossa privacidade e independência. Mas quando existe uma família e uma casa em comum, esconder questões ligadas ao dinheiro – como uma conta bancária – é mau sinal. “Quando se sente que o dinheiro da família está a ser canalizado para outras coisas – jogo ou outras adições – isso pode ser sentido como uma traição.”

Deixem-se de acusações e culpas

“É importante que a admiração que se tinha pelo parceiro, durante o namoro, continue no casamento. O constante apontar de dedo desgasta a vida de casal.” No calor de uma discussão é sempre difícil contar até 10 e fazer um esforço diplomático. Mas há uma grande distância entre assertividade e agressividade. Quando as culpas voam no fogo cruzado verbal, é mais difícil que o outro reconheça os pontos a melhorar. “É essencial pararmos para pensar e olharmos para nós, avaliarmos se estamos a falar de uma forma ríspida e agressiva com o outro. O pensamento deve ser ‘O que é que eu posso fazer por esta relação?’, e não pôr sempre essa responsabilidade no outro ou achar que ele é que está mal.”

Como quando tinham 20 anos

Quem começou a namorar numa altura de vida em que não tinha grandes rendimentos acha, muitas vezes, formas de reviver o passado e até se reaproxima do parceiro. “É importante parar para pensar e ter momentos a dois. Trabalha-se muitas horas fora de casa e depois existem as questões e momentos com os filhos. Mas se não houver um ou dois fins de semana a dois, vai ser mais difícil fazer face às dificuldades. Os casais já estão a voltar aos programas do tempo de namoro, em tempos de crise. Não têm dinheiro para o hotel? Porque não acampam? Medidas como estas têm ajudado a reavivar uma série de relações. Um dos casais com quem faço terapia, face a uma situação de desemprego, optou por fazer mais jantares em casa. Criaram uma nova dinâmica, reaproximaram-se de amigos e um do outro.”

Ensinem aos miúdos o valor de um ‘não’

Queremos dar aos nossos filhos tudo o que merecem, mas é saudável que eles aprendam que há limites, confirma Ana Morato. As discussões por causa das diferenças entre modelos de educação dos pais são uma das questões que muitos casais trazem ao gabinete da terapeuta. “Um dos pais, como não teve uma vida fácil, quer dar tudo o que pode aos filhos, o outro acha que não se pode ser permissivo dessa maneira e há que ensiná-los a lidar com a frustração do ‘não’. Tem que se chegar a um meio-termo e, por vezes, é complicado.”

Alerta vermelho!

Ele vê todas as suas faturas e estratos bancários? Quer saber em que é gastou dinheiro e porquê? Pode ser sinal de uma relação disfuncional e abusiva. “O dinheiro pode ser uma forma de controlar o parceiro, a casa, os filhos. Isto acontece quando um dos elementos do casal fica com a posse e toda a gestão financeira. Há pessoas que têm necessidade de serem controladoras.”

CRISTINA TAVARES CORREIA

 
 


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