São Tomé e Príncipe: PIC e Interpol investigam tripulação do «Thunder»

12-04-2015

Depois de terem sido salvos numa operação conjunta de navios da ONG ambiental Sea Shepherd e da Guarda Costeira santomense, foram instalados em três hotéis da capital. Os passaportes estão sob custódia dos Serviços de Migração e Fronteiras. A maior parte da tripulação é indonésia. Chilenos, espanhóis e um português, Manuel Agonia Dias Marques, fazem parte da equipa do navio. A embarcação estava a ser seguida desde 17 de Dezembro de 2014, ou seja, há mais de cem dias, pelo «Bob Barker», barco da ONG, no quadro da operação contra a pesca ilegal na Antártida. O «Thunder», que tinha bandeira nigeriana, foi detectado com outras três embarcações a pescar ilegalmente em águas antárticas. Devido às actividades ilegais, a Nigéria já tinha retirado a licença concedida ao principal navio do grupo, que a Sea Shepherd qualifica como «Seis Bandidos». Sem registo, o «Thunder», à luz das convenções internacionais era um navio pirata. «O navio tinha como propósito vir a São Tomé fazer o transbordo do pescado, mudar a tripulação e posteriormente permaneceria em São Tomé para preparar um novo registo, alterar a licença de pesca para passar a trabalhar nas nossas águas territoriais», declarou Rui Vera Cruz, capitão dos Portos, em conferência de imprensa. O navio está a ser agenciado pela «Equador», que tinha notificado às autoridades sobre a chegada da embarcação. A mesma que tratou do caso dos petroleiros apreendidos pela Guarda Costeira em operações ilegais nas águas territoriais santomenses. Um dos responsáveis da agência Equador é o actual ministro da Administração Interna, Arlindo Ramos. Os relatos dos que participaram no salvamento dos marinheiros indicam que a embarcação, que estava a 95 milhas da costa santomense foi afundada propositadamente. As escotilhas estavam abertas para acelerar a entra de águas e os marinheiros estavam em salva-vidas com as respectivas bagagens. Admitem que a tripulação deve ter recebido ordens do armador espanhol com o objectivo de destruir as provas da pesca ilegal. Sobre a tripulação pesa uma notificação da Interpol desde 2013, por causa das suas operações de pesca ilegal. A Sea Shepherd realiza uma campanha em águas antárcticas para lutar contra a pesca ilegal da merluza negra, uma espécie protegida que chega a medir mais de 2,2 metros de comprimento e pesar cem quilos, e é um dos maiores peixes da Antártida. De acordo com uma nota da ONG ambiental que a PNN consultou, houve comunicação via rádio entre Peter Hammarstedt, comandante do «Bob Barker», e a tripulação do «Thunder». Num primeiro momento, porque um dos marinheiros indonésios teria tentado suicidar-se. Por outro lado, o chileno Alfonso Cataldo, capitão do «Thunder», recusou a oferta de salvamento proposta pelo responsável do «Bob Barker» e, através de um dos indonésios, disse também que a tripulação não queria comunicar com o navio do Sea Shepherd. Hammarstedt pensa que os membros da tripulação indonésios sejam pessoas traficadas e pareceu-lhe também que a intenção do capitão do «Thunder» era permanecer no navio o tempo que fosse necessário. Face ao impasse e à ameaça de suicídio, Hammarstedt apelou à cooperação das marinhas dos países da sub-região para prender o navio imediatamente. A Sea Shepherd assegurou que fará todo o possível para que a tripulação do «Thunder» seja investigada pelas suas operações ilegais nas águas antárticas. O Instituto Sea Shepherd – Guardiões do Mar, integra a Sea Shepherd Conservation Society, baseada nos Estados Unidos, e também tem escritórios na Austrália, Canadá, Inglaterra, Holanda, França e África do Sul. A Sea Shepherd Conservation Society – SSCS foi criada em 1977, nos Estados Unidos, pelos fundadores da Greenpeace. É considerada a ONG de protecção dos mares mais activista do mundo e conta com a participação efectiva de milhares de voluntários em todo o planeta. O Presidente da República santomense, Manuel Pinto da Costa, reforçou o pedido para que os EUA ajudem a garantir a segurança marítima no país. A indicação foi dada pela nova embaixadora norte-americana, após a apresentação das suas cartas credenciais no último fim-de-semana. «Uma das preocupações do Presidente da República é a segurança marítima, e nós partilhamos essa preocupação», disse Cynthia Akuetteh, residente em Libreville, Gabão, acrescentando que este apoio vai centrar-se «no reforço das capacidades das instituições santomenses neste domínio. Não tem a ver com mais presença de militares ou navios americanos no país». Por sua vez, a França também está empenhada em reforçar a cooperação com São Tomé e Príncipe no domínio da segurança marítima. «A marinha francesa tem programas de patrulha em toda a região do Golfo da Guiné, e a França dá todo o apoio aos esforços para reforçar a segurança na região do golfo da Guiné. É um domínio em que queremos ter concertação mais estreita com as autoridades santomenses», sublinhou o novo embaixador francês, Dominique Renaux, também com residência em Libreville, que entregou as suas credenciais ao Chefe de Estado santomense. O escritório de cooperação francesa em São Tomé está em vias de ser encerrado, mas o diplomata garante que a «excelente» cooperação entre os dois países não será afectada.

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