República Centro Africana: Uma República que ressuscita lentamente

17-06-2015

Para o Arcebispo, o Fórum Nacional centrafricano revestiu-se de um papel central com vista encontrar soluções estruturais para a crise que abalou a país após o dia 5 de Dezembro de 2013, salientando que temáticas basilares e incontornáveis como a questão da justiça e reconciliação, desenvolvimento social e económico estiveram na mesa de discussão, constituindo sólidas recomendações de boa governação e, do mesmo modo, estas premissas poderem vir a servir de bússola para orientar o caminho em direcção à paz e à segurança. Nzapalaynga recorda dois momentos chave do Fórum, que considera não deverem ser esquecidos pelos responsáveis políticos do país, que são os Acordos assinados entre a UNICEF e os grupos armados, em que estes últimos decidiram libertar todas as crianças, devolvendo as crianças às salas de aula, onde é o lugar delas e não nos campos de batalha com armas nas mãos, e o Acordo entre os grupos armados com vista à reinserção. Estes dois acordos assinados são aqueles que vão permitir, no entender do Arcebispo de Bangui, que os centrafricanos respirem uma paz durável e prossigam o caminho do desenvolvimento. Imediatamente na sequência do Fórum verificou-se que uma equipa foi posta em acção para acompanhar os desenvolvimentos dos compromissos que resultaram deste fórum e assim «manter a bússola orientada para que os centrafricanos não se enganem no caminho e que possam chegar a bom porto, que são as eleições», defende o Arcebispo de Bangui. Segundo as palavras de Nzapalaynga «a obrigação da Igreja, o seu papel fundamental, é estar atenta de maneira a ser capaz de contribuir para que a paz seja devolvida ao país e os cidadãos se sintam em segurança, de modo a que a República prossiga no caminho do desenvolvimento. Por isso, a igreja deu o seu contributo pedindo que a força das Nações Unidas, uma força neutra, fizesse um esforço ajudando a colocar ordem no país para que, assim, possa regressar a calma aos espíritos dos Seleka e dos anti-Balaka e estes possam ser reagrupados para formar um Exército republicano de base digno do nome de todos os filhos do norte, do sul, do este e do oeste, do país. A igreja está presente, ela intervém e está vigilante no que diz respeito à segurança, a fim que os centrafricanos possam regressar aos campos, deslocar-se sem medo no país e voltar às suas ocupações profissionais». Quanto ao papel da Igreja relativamente ao Estado, Nzapalaynga responde de forma lúcida que «eu sou religioso, eu digo coisas mas eu respeito também o limite da política. O lugar da igreja deve ser profético, ela deve ver, dizer, anunciar, denunciar as coisas, nós devemos ser como uma luz, nós devemos ser como uma locomotiva e penso que a nossa obrigação é não nos enganarmos no caminho, a igreja deve, por isso, estar no lugar que lhe pertence para que a política possa continuar o seu percurso. Melhor dizendo, a igreja deve ser uma mãe, que deve ajudar à reconciliação, deve mobilizar os jovens para lhes dar a possibilidade de ter uma educação, ajudar as mulheres para que elas possam ser respeitadas pelos seus semelhantes, para que não existam mais violações nem abusos sexuais. Esta é a missão da igreja, ela deve denunciar o que está mal na sociedade e dar espaço à política para que ela corrija e promova a justiça e a igualdade». A República centrafricana é um mosaico de múltiplas cores composto por diversas etnias, várias tribos e diversas crenças religiosas, que impõe a um Governo laico e republicano um papel ainda mais responsável quanto à obrigação de disponibilizar meios que ofereçam condições de segurança a todos os cidadãos, de maneira a que todos se sintam incluídos no sistema de protecção do país, pois como alerta o Arcebispo de Bangui, «a exclusão provoca fricções e, também, o ódio, e a missão de um Governo é a de congregar, de unir, de deixar espaço para que cada um desenvolva as suas competências, independentemente da sua cor ou do seu credo, dar a todos as mesmas oportunidades, independentemente da sua etnia, da sua tribo, da sua religião, pelas capacidades que cada um tem para contribuir para o desenvolvimento do país». No que diz respeito à presença e importância das forças internacionais em solo centrafricano, o Arcebispo de Bangui não tem dúvidas em afirmar que «as forças internacionais vieram para nos ajudar e com a sua chegada nós testemunhámos que certas coisas diminuíram e certas zonas de Bangui viram acalmar os ânimos. A paz ainda não chegou, é certo, mas o trabalho é gigantesco e o caminho está a ser feito. É necessário ter paciência, não queimar etapas, andar passo a passo e amanhã nós teremos uma bela república onde cada um encontrará o seu lugar». Por fim, Monsenhor Nzapalaynga defende que «é preciso mobilizar os centrafricanos para acreditarem neles mesmos, no seu futuro, ajudar o país a crescer em direcção a uma melhor educação para todos, ajudar a construir este país que é extremamente rico, cujas riquezas o podem ajudar a reconstruir-se, promovendo uma boa vida, onde todos se respeitem, se aceitem, um país onde se possa dizer que se é centrafricano e não de tal tribo, de tal etnia, de tal religião. Creio, sinceramente, que estamos no início do processo de ressurreição da República centrafricana».

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